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Bora esmagar a paçoquita?😏
Ou ver a hipotenusa do pedreiro
Alguém já te chamou pra adoçar o cajuzinho?
Pentear o padre? Chacoalhar o abajur? E se eu mudasse para algo como massagear a maquininha ou limpar a gavetinha?
Não sei o que aconteceu historicamente mas em algum momento a língua portuguesa casou tão bem com a eterna mentalidade de quinta série do brasileiro médio e descobrimos uma estrutura infalível: ao juntar um verbo com um substantivo não muito correlacionado, você cria uma expressão de duplo sentido.
Quase sempre vai funcionar! Tem uma linha tênue entre o substantivo escolhido e a graça da expressão, mas quase sempre funciona, ainda mais com o substantivo no diminutivo: alisar o bonequinho.
Se você passou por todos os exemplos e não julgou nenhum deles como um sinônimo de sacanagem, sugiro que volte e leia em voz alta. Mas não no meio do seu trabalho!
Vai lá, experimenta!
Eu quis começar hoje com alguns dos exemplos mais esdrúxulos possíveis primeiramente para descobrir como e escreve “esdrúxulo” e também porque existe um elemento central na criatividade e comunicação que ignoramos com certa frequência:
Tudo já existe.
Semana passada comentei bastante sobre reaproveitamento de ideias e projetos, agora vamos olhar para um lado parecido e ainda diferente, que é a organização de conceitos já existentes para dar um novo sentido. Quando quero me fingir de inteligente eu cito isso como a famosa Sopa de Lavoisier.
Lavoisier não é só um laboratório famoso. O cientista francês que inspira o nome hoje em dia conhecido por coletar sangue dizia: “Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma".
Já a Sopa de Lavoisier parte da ideia de que você tem fome, tem um tanto de coisa na sua geladeira e nada daquilo satisfaz. Mas ao fazer uma sopa, todas aquelas sobras se transformam em algo novo.
Criatividade é fazer uma Sopa de Lavoisier no nosso cérebro.
É bastante provável que em algum momento da vida você tenha aprendido técnicas e teorias que te ajudariam a resolver o problema que surgiu hoje, mas nossa cabeça não absorve tudo, o tempo passa e os boletos chegam. Se eu preciso encontrar um jeito de informar ou comunicar algo, não dá pra buscar na memória aquela combinação gramatical que vi no colégio.
Aqui é onde está a magia de comunicar coisas velhas e chatas de uma forma diferente, vem comigo.
Na escola a gente achava chato estudar gramática ou hipotenusa porque primeiro nossos professores traziam o conceito, aplicavam uma prova e a vida seguia.
Agora na vida profissional nós podemos inverter a lógica: eu entendo qual meu desafio e busco nos conceitos antigos uma forma de explicar aquilo, em vez de passar horas e horas sofrendo para explicar da minha cabeça.
Você não chama a atenção de alguém falando que a gramática ajuda a manobrar palavras de tal forma que ao unir qualquer verbo com um substantivo, pessoas vão entender que é um convite para esmagar a Paçoquita. Você pergunta quem já amassou a Paçoquita e conta que encontrou uma fórmula para transformar qualquer frase em algo ambíguo.

Você não explica a fórmula do quadrado do cateto da hipotenusa. Você mostra que um pedreiro é capaz de dominar a fórmula mesmo sem saber, porque todo santo dia ele aplica azulejos assim:
Toda forma de comunicação é uma reorganização de palavras!
Talvez você sofra para explicar algo porque está olhando para a maneira técnica ou acadêmica de falar sobre o assunto e não parecer idiota.
No entanto, nossa missão ao passar uma ideia adiante não é parecer mais inteligente, é fazer outros entenderem a mensagem!
Como funciona meu algoritmo de simplificação de ideias:
Existe algo comum na “vida real” que exemplifique isso? Por exemplo, a tal da hipotenusa nada mais é que uma linha diagonal. Então bora usar esse exemplo!
Existe alguma obra de entretenimento que tenha correlação com a ideia? E se eu usasse paralelos? Se eu usar a “jornada” de tal obra como analogia? Pense que de maneira bem simplista, a Bíblia é um livro de contos elaborados para reforçar as ideias do cristianismo. Fábulas e metáforas facilitam qualquer entendimento.
Ficou bom quando eu li em voz alta? A sua resposta vai dizer se o que estava na cabeça ou no papel está simples ou não.
Com três passos absurdamente simples é possível abordar qualquer tema complexo de forma que as pessoas queiram saber mais sobre ele e tenham interesse genuíno naquilo que você tem a dizer!
Agora vai lá tomar seu café da manhã depois de começar o dia espremendo a mexerica. Ou fruta de sua preferência.