A Cura Islandesa

Fiquei maravilhado quando encontrei

Cheguei na Islândia há quase uma semana para matar as saudades desse lugar incrível  e algo me chamou a atenção.

Como é um tour que dá a volta ao país por completo, cada noite conta com hospedagem em um hotel diferente, cidade diferente… No geral, hotéis isolados no meio do absoluto nada, mais distantes que aquele “bom dia” seco da sua esposa/esposo. Dois desses hotéis eram fazendas que foram convertidas, alguns eram urbanos.

Mas em todos eles eu vi a tal da cura islandesa.

Qualquer pessoa que já dormiu com alguém sabe que existe uma guerra fria constante entre casais: o roubo de cobertores. E essa guerra é curiosa porque, via de regra, quem mais ocupa espaço e rouba cobertores é a menor pessoa, que num casal hétero, é a mulher!

Mulheres baixinhas equivalem a um Shaquille O’neal.

Na cama, uma mulher de 1,50 vai ocupar dois territórios e mais um à escolha. Inclusive eu queria muito saber como casais de mulheres resolvem essa luta eterna!

É aí que entra o que chamei de cura islandesa: toda cama tem dois cobertores de casal! 🤯

Esses islandeses são geniais! E meu guia disse que a prática de deixar um cobertor para cada pessoa na cama é realmente prática comum em todos os lares e que até pensa em ser meio rebelde e comprar um edredom gigante para ele e a esposa.

Eu gosto de soluções simples para velhos problemas.

Em alguns países orientais, você vai ter um tipo de banquinho ou apoio que ajuda na posição de fazer cocô. Reza a lenda que, ao ficar de cócoras em vez de sentado, seu corpo caga melhor.

Veja bem, existe até mais de um jeito de usar a privada, por que não existiria mais de uma forma de dividir a cama ou de resolver qualquer outra coisa?

Um dia antes de fazer um passeio enorme pela neve e gelo, a sola da minha bota descolou pela metade, virando algo cômico e desesperador num clima de -5 graus! Descobri que acontece com frequência em botas que ficaram muito tempo guardadas.

E agora? Eu em uma cidade de 400 habitantes sem uma lona sequer de botas ou qualquer cola de sapato, alguém me diz: “Cleiton, tenta silver tape”.

A funcionária da cafeteria me ajudou a colar a bota há 3 dias. De lá pra cá rolou gelo, neve, lama, água e aqui estamos:

Bloqueio criativo nem sempre é a dificuldade em fazer algo novo, também pode ser o hábito robotizado de resolver problemas comuns sempre do mesmo jeito!

Silver tape na bota não é a solução bonita, mas é a que funciona. Funcionou melhor que minha ideia perfeita de comprar botas novas (ainda não encontrei lojas). E quando a gente lida com um problema simples ou tradicional, dá pra bolar um mini algoritmo parecido com a lógica da “Cura islandesa”:

  1. Qual o jeito mais óbvio e simples de resolver isso?

  2. Quais recursos simples eu ainda não usei?

  3. Estou focando na solução prática ou já solução bonita?

O resumo da minha vida profissional enquanto alguém que passa os dias ajudando empreendedores é mostrar algo que estava na frente dessas pessoas o tempo todo, mas nem sempre é visto porque todos nós acabamos nos acostumando com a presença do óbvio.

Não desperdice a chance de usar saídas simples para qualquer.

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Enquanto luto com a ferramenta de newsletter que não funciona bem no celular, você pode dar uma conferida no meu podcast de criatividade e comunicação, o Além das Boas Ideias:

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Nos vemos semana que vem ;)