Minha vida não é interessante

"Nada de novo no front"

Tire essa porcaria da sua mente

Existe uma frase que me irrita demais. Na verdade existem muitas frases que me irritam, tipo “não temos pudim”, “acabou o café”,  “só tem Pepsi” e “essas tatuagens todas têm significado né”. 

Sim, todas as minhas tatuagens significam que preciso de psiquiatra, mas isso é outro assunto. A frase que costuma ser dita por gente que admiro e acaba sendo um gatilho para me dar vontade de xingar (com respeito) a pessoa na mesma hora é “mas minha vida não é interessante”.

Se sua vida não fosse interessante, você provavelmente não teria amigos ou um relacionamento. Ou colegas de trabalho.

A gente cai na cilada de achar que rede social é vida real, mesmo estando consciente de que tudo aquilo é uma visão editada e tratada, então adiciona uma camada de performance em tudo. Até comentei sobre num reel que saiu segunda-feira.

A questão é que ao longo de um dia comum você faz mais de 10 mil microdecisões. Desde escovar os dentes até escolher se vai tomar banho antes ou depois de jantar. Se você passa a anotar um pensamento que passou pela sua cabeça enquanto fazia café ou uma pergunta que um cliente fez e era relevante, você ganhou um elemento de conteúdo. 

Conteúdo este que não precisa ser publicado. Mas que vira repertório.

Você precisa ter um arquivo

Imagine que você eventualmente precise comunicar seu trabalho em algum ambiente. Apenas falar sobre o que você faz não encanta, não atrai. Com certa pitada de contexto e diversão, tudo fica interessante!

Hoje, por exemplo, meu oftalmologista comentava sobre ele não utilizar lentes com proteção contra luz azul até o meio da pandemia. Mas que nos últimos 4 anos aceitou a realidade e se percebeu muito menos cansado, com grau estável e até se sentindo mais estiloso com a coloração das lentes. 

Ele se fez de uma história pessoal para me convencer que vale a pena considerar lentes assim. Eu uso óculos há 25 anos, sei dessas lentes há pelo menos 6, e só hoje alguém conseguiu me despertar o interesse nelas. A história dele não é interessante pela ótica (tumdumtsss) do acontecimento extraordinário, mas porque ela conecta comigo.

Perceba como histórias não precisam ser extraordinárias ou altamente fictícias. Uma história simples, algo comum que acontece na sua vida, essas pequenas coisas merecem ser guardadas em um baú de memórias.

Quanto mais você enche o baú, menos você sofre de bloqueios criativos e mais fácil fica manter contato com o seu público-alvo.

Ele foi tietado segundos após essa imagem

Ontem mesmo almocei com o queridíssimo Duda Nagle. O Duda é ator e empresário, já esteve em novelas da Globo e Record, fez diversos filmes, apresenta podcast, lutou contra o Popó… E ele sempre foi tímido.

Com muito estudo e repetição, ele entendeu que há formas de equilibrar a timidez e a exposição, colocando seu repertório pra jogo quando há uma chance.

É por isso que eu sou apaixonado por comunicação. A comunicação permite que um oftalmologista com 30 anos de carreira faça uso dos mesmos elementos que um ator global.

Ela permite que eu tente trazer a você um ponto de vista sobre a importância de pessoas boas prestarem atenção nas próprias vidas e extraírem pedacinhos disso para elaborarem melhor suas falas e posicionamentos profissionais e pessoais.

Sua voz é uma das ferramentas mais poderosas que você pode ter. Aliada ao seu repertório, você se torna imbatível.  

Eu acredito que pessoas comuns alcançam grandes conquistas quando descobrem formas autênticas de se comunicar.

Nada mais autêntico que construir seu próprio repertório e o utilizar a seu favor!