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Aprenda a enganar pessoas
A tal mentirinha do bem
Mentira é coisa do Capeta?
Existem vários nomes carinhosos para o Diabo. Coisa Ruim, Mochila de Criança, Capeta, Satanás e, claro, Pai da Mentira. A questão é que “mentira” pode ser algo muito amplo!
Se eu minto para ludibriar, forjar, prejudicar, é uma coisa. Só que ao mesmo tempo, a principal função de uma atriz ou ator é viver uma mentira. Aí é onde categorizamos formas de mentir. A mentira como entretenimento é parte do nosso cotidiano há milênios.
E um tipo, digamos, indolor de mentira é o que os gringos chamam de “mislead”. Quando você produz algo “misleading”, pode ser tanto para desviar a atenção do fato principal, quanto para mentir na cara. Só que esse primeiro uso é a base de muitas carreiras e marcas!
Como alguém te engana com frequência
Vamos imaginar um ilusionista. O próprio nome da profissão já sugere que vai haver uma espécie de mentira ali. Pessoas não voam, objetos não desaparecem (exceto por meias na máquina de lavar), nenhum ser cortado ao meio sobrevive. Você paga para que alguém te engane com classe. O ilusionista é um profissional formado em “mislead”.
Na literatura não é diferente! Agatha Christie, Machado de Assis, George R. R. Martin, Tolkien. Todos eles te enganam em algum momento e, inclusive, você só consegue manter sua atenção à obra porque estão desviando sua atenção da solução da trama e manipulando suas expectativas com maestria.
Sabe aquela expressão “me engana que eu gosto"?
Você e eu adoramos quando alguém competente nos engana pelas razões certas! Esse tipo de mentira não é coisa do capeta, é coisa da boa construção de história. Só que a boa construção de história quando utilizada pelo profissional de marketing, isso sim pode ser coisa do chifrudo!

O capeta brasileiro é bom demais
O mundo explícito demais é chato.
Ninguém morre de amores por uma fala que busca vender a qualquer custo sem qualquer sedução prévia. No próprio flerte ninguém é inocente! As duas partes têm um interesse em talvez um beijo, talvez algo mais. Elas entram num pequeno jogo de desvio do objetivo principal e constroem um pequeno teatro. Se a performance do pequeno teatro for boa, surge um casal.
Isso é a diferença entre marcas épicas e marcas medíocres.
Marcas épicas são lembradas pela forma como elas te enganaram do jeito certo.
O sorveteiro turco que faz todo aquele joguinho de não te deixar pegar o sorvete está criando uma história. O garçom que faz explicações visuais e sinestésicas dos pratos, também cria uma história.
A gente quer ser seduzido por boas histórias, mas esquece de praticar a mesma arte com nossos clientes e colegas.
Grande parte do processo de engajar alguém é construir uma jornada que envolve descoberta, valores comuns, surpresa e ação.
Quanto mais você domina isso, menos fica dependente da venda explícita.
Do meu ponto de vista, não existe uma marca sequer que faz isso tão bem quanto a Red Bull. A Red Bull não é uma fábrica de energéticos, é uma fábrica de storytelling. E eles literalmente não fabricam energético, é tudo feito por terceiros! O verdadeiro jogo deles é virar assunto.
Gravei um vídeo analisando brevemente a visão, sucesso e ensinamentos da Red Bull! Alguns deles podem ser completamente aplicáveis à sua realidade.
Bora lá?
