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O dia em que a criatividade morreu
Foi de arrasta pra cima. De Americanas. Bateu as botas.
Não lembro bem a data, mas lembro a sensação.
Sei que foi um dia quente e seco. Eu morava em São José dos Campos, uma cidade conhecida por ser "a uma hora de qualquer lugar". Na época até eu brincava que também deveria ser a uma hora do inferno, porque só isso justificava o calor de lá.
Como em qualquer outro dia comum, fiz a moagem do café, preparei com bastante calma e sentei para começar o trabalho. Assim como você, eu já havia seguido a mesma rotina centenas de vezes, mas ali aconteceu algo. Na verdade não aconteceu.
Me deu um branco.
A vida toda eu escreveria um título de post ou ideia de conteúdo em poucos minutos, mas notei que estava parado, sem escrever nada ou tomar meu café por mais de 40 minutos. As ideias não vinham, o tempo não passava.
E de repente percebi que na verdade os textos não fluíam há tempos, que reuniões com clientes eram estranhas, que o playground do meu cérebro estava abandonado. Também notei a memória fraca, a dicção estranha. De tempos em tempos eu ficava em tela azul, olhando para o nada, sem reagir.
Eu estava assim há semanas, sem me ligar. Até que a realidade chegou me batendo de havaianas:
Minha criatividade havia morrido.
Bateu o desespero. Revirei todas as caixas, memórias e rabiscos que eu tinha, continuava não encontrando a criatividade. A vida sem criatividade era uma ideia inaceitável, ainda mais como estrategista de marketing. Eu não sabia que a criatividade poderia adoecer ou morrer.
Pela primeira vez na vida me senti como o Leonardo DiCaprio, mas naquele filme A Ilha do Medo.

E qual médico cuida da criatividade? Existe centro espírita que me coloque em contato com a criatividade desencarnada? Não.
O que descobri em exames (além de não existirem médicos da criatividade) é que eu estava com disfunção cognitiva pós-covid, algo que me atormentou por 5 meses. Minha criatividade não havia morrido, mas estava dispersa em várias partes do meu cérebro, como ruas sem saídas e sem esquinas.
Neurologistas e psicólogos me ensinaram que era possível recriar os caminhos entre essas ruas e que isso não apenas seria demorado, como também demandaria esforço.
A primeira coisa que aprendi com a "morte" da criatividade é que o cérebro precisa de estímulos frequentes e recorrentes para incrementar as conexões entre essas ruas (neuroplasticidade). Mas quais estímulos? Aqui vão alguns exemplos:
Desenhar
Tocar instrumentos
Ler livros
Escrever
Praticar exercícios
Palavras cruzadas
Agora além de sofrer, eu precisava arrumar disposição 🤡.
Assumi que realizar o máximo de atividades "mecânicas" e repetitivas era uma obrigação diária. Por um misto de sorte e timing, consegui ainda participar de um estudo do Incor sobre os impactos cerebrais da Covid-19.
Sabe o que tinha no tratamento de 6 meses? 20 minutos de jogo todo dia. Era na verdade um teste neuropsicológico fantasiado de video-game. Foi uma experiência maravilhosa ver alguns indicadores evoluindo no mês a mês.

Eu estava desesperado para ressuscitar minha criatividade, e de alguma forma, consegui. Todas aquelas atividades descritas acima me ajudaram, principalmente os exercícios físicos e os livros.
Acredito que produzi minhas melhores palestras e conteúdos depois que transformei tais estímulos em rotina.
O que me leva a uma reflexão recente.
Pode ser que algum dia sua criatividade morra. Ou que ela desapareça. Não é isso que queremos. O que a gente quer é uma criatividade saudável, marombeira, pronta pra viver mais umas décadas.
Exercitar a criatividade vai te ajudar a resolver problemas com maior velocidade e menor cansaço. É possível estimular sua criatividade e eu vou te ajudar nisso.
Uma vez ao mês, farei aqui um breve review sobre livros relacionados à criatividade.
Isso pode te dar ideias do que consumir, o que evitar e como deixar seu lado criativo mais forte que o Padre Marcelo.
Já sei sobre qual livro vou falar na próxima semana, mas aceito sugestões para outras edições. Você tem alguma? Se sim, basta responder aqui.
Abraços!