Ninguém tá natural

Dá uma olhadinha ao seu redor e me diga quem está completamente natural. Do dente de jogador de futebol à injeçãozinha no banheiro da academia, não faltam exemplos de procedimentos que antes eram limitados aos ricos ou extremamente discriminados entre o público comum e agora são o novo normal.

Sim, aquela blogueira fitness que você segue toma mais veneno que plantação de soja no Mato Grosso. O mesmo vale para muitos dos seus blogueiros preferidos de corrida e até para colegas de trabalho que estão metendo o shape.

Tem droga pra ficar rápido, pra emagrecer, pra entrar no shape e até pra durar mais que alguns minutinhos na hora do prazer. E droga para salvar o cérebro?

E se uma injeção te deixasse mais inteligente?

Mounjaro cerebral não depende de prescrição

Um amigo que sempre cito aqui, o Pedro Cortella, tem ministrado um curso sobre AI na ESPM. Como moro bem perto, ontem fui tomar uma cerv…café com ele antes da aula e começamos a falar sobre uma crença compartilhada.

Nenhum de nós é um grande fã da ideia de delegar toda a parte criativa das nossas vidas para a AI. Só que ao mesmo tempo, tem sido difícil resistir às incríveis facilidades que elas oferecem. E o exemplo perfeito veio de fora da AI. Paramos em uma loja de bikes elétricas e comentei que eu so não tenho uma elétrica porque isso me faria abandonar a bike raiz, que é minha fonte mais recorrente de exercícios.

Pois bem, a coisa é meio parecida com as tecnologias mais automáticas.

Pode ser que você, assim como eu, esteja num mix de cansaço de ver tanta gente pregando a palavra do Claude ou GPT, e ao mesmo tempo com medo de ficar pra trás dos hypes. Afinal, o hype pode mudar sua carreira. Certo? 

A aplicação do Mounjaro mental

Pensa comigo em uma das regras básicas do preparo físico (disse o atleta…): Você precisa descansar. Pode ser o descanso entre séries na musculação, o repouso entre dias de treino ou a recuperação após um cardio intensivo. Seu corpo precisa de tempo para recuperar um estado próximo ao anterior, aí você o submete ao estresse novamente.

Com novos aprendizados não é tãão diferente. Em vez de ir nos opostos, que são ou correr risco de inanição por passar horas e horas mexendo em prompt ou simplesmente recusar a nova realidade, que tal programar um espaço de tempo no seu dia para realizar uma simples pergunta a qualquer ferramenta de AI:

“Como você pode otimizar minha rotina de trabalho?”

Recebeu a resposta? Processe, teste e suma. Vá fazer sua aplicação de Mounjaro mental e estude algo da vida real. Leia um livro, pratique um hobby, estenda roupas, desligue seu cérebro.

Ao se afastar da questão em foco, sua mente começa a processar, de forma inconsciente, novos aprendizados e como eles se conectam. É daí que vem o tal do ócio criativo ou a ideia no banho!

O Mounjaro cerebral nada mais é que você criar um fluxo de adaptação às novas tendências sem se desconectar da vida real, mas sim tratando as novidades como um treino de musculação ou o aprendizado de um idioma: um pouco de intensidade, um pouco de intervalo.

O Mounjaro normal também não faz milagres sozinho, é preciso ter um pouco de esforço.

É assim que você protege seu cérebro da completa automação e mantém seu potencial criativo na alta, mesmo quando as ferramentas poderiam fazer (quase) tudo por você.

Mantenha sua criatividade bem alimentada, mas se provoque também.

É assim que a gente não fica pra trás.

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