Você enxerga 💩 ou adubo?

Minha experiência num 3 estrelas Michelin

O inicio de um sonho…

Um mês e meio atrás eu decidi que iria realizar um desejo de longa data. Quase um sonho. Pegar o menu degustação da Osteria Francescana, restaurante com três estrelas Michelin, eleito duas vezes como o melhor do mundo!

E ontem foi o dia.

Deve fazer mais de uma década que descobri quem era Massimo Bottura. O camarada é um chef italiano que vive em Modena e é apaixonado por criatividade e arte. Ele defende que o respeito às tradições não deve impedir a inovação, que isso é uma dança.

Além de colocar inspiração das artes em tudo que faz, ele ajudou produtores do queijo parmigiano reggiano a não perderem mais de 300 mil unidades após um terremoto que arrasou Modena. Grande figura!

Um vinagre dele custa mais que meu aluguel

Deu tudo certo (?)

Ontem era o dia.

A Osteria Francescana original não serve o cardápio clássico que a colocou como top 1 do mundo e não aceita reservas individuais. Porém, existe a Francescana at Maria Luigia: mesma cozinha, cardápio clássico, localizada em um hotel do mesmo chef em cenário paradisíaco.

Eu estava em Bologna. Peguei um trem até Modena, um táxi que custou mais do que meu aluguel. Quem converte não se diverte, só que muita diversão complica a vida. Cheguei.

Também havia reservado um tour pela fábrica de vinagre balsâmico do chef, experiência gratuita e encantadora! Ali estava eu, apreciando a vista, esperando ansiosamente pelo início do jantar. Conseguia imaginar o sabor de cada fase do cardapio. Eu merecia aquele jantar!

Afinal, 2025 foi um ano de sofrimento e pouco descanso. Há tempos eu não tinha um bom período de solitude e reflexão, e agora eu teria a cereja do bolo de uma longa viagem pela Europa. Visitei amigos em Amsterdam e Antuérpia, explorei Praga, peguei um trem pelos Alpes Suíços, me encantei com Milão. Era o momento. Meu ápice.

Entro no restaurante, sou bem recebido pela hostess e algo acontece. Ou não acontece.

Meu nome não está nas reservas.

Tal qual Sirius Black, de Harry Potter, revoltado por ter esperado 12 anos em Azkaban, ali estava eu prestes a entrar em revolta quando noto algo. A reserva não era para ontem, e sim hoje.

Boa champs!

Eu no bar deles sem saber ainda que precisaria voltar até Bologna

O copo meio cheio é a força motriz da criatividade.

Breve pausa no texto: no meio da viagem eu refleti sobre o que faz tanta gente ser descrente em relação à creator economy, seus resultados e seus grandes nomes. Tava ali no vagão do trem mesmo e gravei um vídeo rápido contando porque tanta gente “dá errado” quando parece que só “os mesmos de sempre” estão ficando ricos.

Vale a pena assistir para entender melhor a lógica de crescimento e se você consegue aplicar na sua realidade:

Só clicar na imagem!

Errar em euro é desolador

Meu alivio foi lembrar que estou viajando sozinho, o que torna o erro menos grave, e também saber que amanhã consigo voltar tranquilamente. E vai parecer papo daquela galera que transforma tudo em aprendizado, mas dane-se.

O trabalho criativo é menos sobre o leite derramado e mais sobre o que fazer com ele, ainda que seja apenas limpar. Inclusive, um dos pratos mais famosos da Osteria Francescana nasceu após um dos cozinheiros derrubar a sobremesa.

Olhar para uma situação desagradável e entender como usar a seu favor é o resumo do dia de quem cria.

Parte do meu trabalho atual é atuar na estratégia de marketing do Ser Mais Criativo, escola do meu amigo Samer Agi. Estávamos com uma ideia dele na cabeça, de distribuir cervejas de graça para quem estivesse correndo na praia e transformar isso em um Reel.

Passamos um tempo ali, zero corredores. Alguns poucos que passaram, não aceitaram.

Mudamos a mensagem do cartaz, PLAU. Brotou gente, acabou a cerveja, gravamos nosso vídeo e ele teve mais de 690 mil visualizações, captou centenas de leads gratuios. Conseguimos reações espontâneas muito superiores às que o pessoal da corrida teria.

Nesse dia aí, a falta de corredores nos trouxe um resultado espetacular.

No caso de ontem, minha distração com a agenda me trouxe um tema para a newsletter.

Choro e chilique não resolvem problemas, nem apresentam oportunidades.

Ver o copo cheio não é ser otimista ou iludido, é enxergar possibilidades.

Semana que vem eu conto como foi o jantar. Ou não.

Enquanto isso, vai lá no meu canal!