Me demiti para não viver de hipóteses

Aposto que uma dessas 3 dicas será útil no seu 2025

Já adianto que essa decisão não me fez ter que vender nada de casa ou morar na rua.

Era maio de 2020, toda aquela incerteza inicial envolvendo a pandemia e eu só sabia de uma coisa que estava melhorando no mundo: a creator economy. Eu já estava com 5 anos e meio de trabalho na Hotmart, sendo que por pelo menos 7 meses já sentia que podia fazer algo diferente. 

Eu me sentia uma completa fraude. É fácil falar de marketing em consultorias e aulas quando você trabalha em uma empresa com recursos quase infinitos e não toma os riscos que esses empreendedores tomam.

A cada mês eu pensava em como seria a vida se eu mudasse de carreira e provasse que sou bom em marketing. Era sempre um “e se”.

Eu pensando no que compraria se empreendesse

Só que viver de hipóteses quando você tem recursos é um ato de covardia. 

Nosso CEO enviava ótimos e-mails semanais sobre como estavam as coisas. E elas estavam ótimas, crescendo como nunca. 

Nem precisei pensar muito: eu tinha 6 meses de salário guardados e um plano básico de me colocar no mercado como estrategista.

A demissão em si foi tranquila e muito bem conversada. Tanto que dois anos depois me chamaram para retornar, e aqui estou! 

Durante aquele período atuei em 16 lançamentos de produtos, vendi consultorias para dezenas de clientes, cheguei a ter contratos fixos e vi meu CNPJ faturar mais de R$ 2 milhões. 

Senhor sequestrador, eu não fiquei com esse dinheiro, ok? Custa caro ter faturamento.  

Mas que diabos eu descobri, além do preço dos impostos, quando me demiti para fazer o que nunca fiz antes, que foi empreender? 

Descoberta 1: O ego é seu maior aliado e ao mesmo tempo inimigo.

Outro dia ouvi o Lucas Inutilismo brincar num podcast que o segredo pra dormir é fingir que está dormindo, logo o segredo pra ser feliz seria fingir que é feliz. O miserávi é um gênio! 

Quando você tem um negócio, não importa se você é ou não a melhor solução: É necessário acreditar que você é a solução necessária para quem precisa do seu serviço. Ninguém gosta de um profissional em dúvida. 

Imagine só contratar “a opção mais mediana e inexperiente possível”.

Talvez você seja o melhor porque se importa, talvez seja o melhor porque embala produtos com embalagem especial. Seja lá o que for, é preciso desenvolver confiança. 

E o caminho para desenvolver confiança é fingir ser confiante, até se sentir confiante. Valeu Inutilismo!

Ao mesmo tempo que se posicionar como a melhor opção se torna necessário, é preciso um cuidado extra para não ser pedante. Portanto, existe aí um equilíbrio entre ser confiante e transparente: “Sou bom em X, nisso eu te garanto meu melhor. Nas outras entregas, estou disposto a correr um risco ou te indicar alguém que complemente”.

O que me leva a outra revelação que tive.

Descoberta 2: ser brutalmente transparente gera valor

A carreira CLT é maravilhosa, mas deixa a gente mimado e com medo. Mimado no sentido de “Contanto que eu faça só minha parte, tá tudo garantido” e medo porque desagradar um par ou emitir uma opinião mais forte talvez altere a lógica do “tá tudo garantido”. 

Então a gente começa a mentir ou omitir. A gente sabe que vai dar merda, mas não se posiciona, quer evitar a fadiga. Você não quer falar verdades e ganhar mais estresse ou trabalho. Logo, é mais fácil aceitar as coisas como são. Afinal, mês que vem tá ali o dinheiro de sempre. 

O que descobri já de cara no empreendedorismo: as pessoas te contratam porque desejam escutar a sua verdade como especialista. 

Eu não me consulto com nutricionista ou cardiologista para ser bajulado, quero escutar verdades duras e, principalmente, como agir em cima daquilo. 

Essa é a diferença entre o engenheiro de obra pronta e a pessoa que tem opiniões respeitadas: trazer a visão honesta, junto com um plano de ação. 

Assim que retornei ao mundo CLT, percebi que muitas pessoas ficaram chocadas com meu posicionamento de não omitir uma opinião sobre algo que tenho domínio. Como as opiniões são técnicas e não sobre indivíduos, no fim do dia ninguém se machuca e acaba confiando muito mais no que você diz.

Descoberta 3: Quer trabalhar melhor? Coloque o seu na reta.

Aqui estou tomando um uísque mentalmente, pensando no Rocky Balboa dando aquele discurso motivacional sobre a vida te bater o tempo todo.

Veja bem. Com a sua empresa, se você não toma uma decisão, o mercado toma por você. O simples fato de não correr riscos te coloca em risco. Tive a sorte de assumir a gestão de uma agência que estava com 500 mil reais negativos.

O antigo diretor era conservador demais. Sugeri que a gente começasse a rodar campanhas o quanto antes, de forma enxuta, testando e desligando rápido… Recuperamos os 500 mil em 3 meses, entramos no positivo. 

Já quase um ano depois, entrei como sócio em um produto e corremos um risco mais alavancado, falimos.

"To bem, to tranquilo”

Só que ao mesmo tempo eu tinha outros contratos. Tive o pior resultado da minha carreira no dia 6 de julho, e um dos melhores no dia 21 de julho.

Seja lá na área de atuação que qualquer pessoa segue, com experiência, ela sabe voltar ao que funciona depois que algo dá errado. A nova receita de pão foi um fracasso? Só repetir a antiga. 

Assim como a transparência brutal, o risco inteligente faz muitas pessoas te admirarem. Quanto mais riscos inteligentes, menos riscos por obrigação. Quanto mais você corre riscos planejados, menos doloroso se torna lidar com erros. 

"Cheguei, sem querer, aonde meu coração queria chegar, sem que eu o soubesse”

Rubem Alves

Meu grande amigo VR (Victor Ribeiro, não o Vale-Refeição) atualmente roda mais de 10 testes diferentes por mês. E ele comentou abertamente: “Aprendi que quanto mais eu me arrisco, mais rápido descubro o que dá certo”.

Como citei lá em cima, viver de hipóteses é um ato de covardia

Passei 2 anos vivendo essas descobertas todo santo dia. Todo dia eu precisava mostrar que era bom, ser brutalmente transparente, correr riscos. 

Quando me chamaram de volta ao trabalho na Hotmart, as coisas não estavam ruins, no entanto, senti que havia dado uma chance às coceiras mentais e que aquilo foi ótimo. 

Encerrei meus contratos e voltei ao mundo corporativo, hoje creio ter me tornado um profissional muito melhor do que era antes de tudo isso, porque há experiências que só a vivência pode entregar.

Belchior dizia que viver é melhor que sonhar.

Talvez você esteja começando 2025 com planos que podem ou não sair do papel. Esses planos não apareceram na sua cabeça do nada, alguma coisinha tem aí. 

Algum resquício de experiências passadas, alguma fagulha de novas atividades… Não te digo que largar a carreira para buscar a execução de uma ideia maluca seja o melhor caminho. Mas o que  de ruim pode acontecer caso seu projetinho ganhe vida?

Seja lá qual for seu projeto para 2025, faça-o equilibrando seu ego, tendo total transparência e abraçando riscos.

Vai ser melhor que viver de hipóteses.

Espero que seu 2025 seja melhor do que qualquer ideia!