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Luisa Sonza e o papel social do homem feio
É raro mas acontece bastante
Eu tenho uma teoria que me acompanha há muito tempo: grande parte das mulheres tende a ficar com homens feios. É triste para elas, mas um tiro de misericórdia para nós.
Lembro de certa vez que fiquei com uma amiga. Quando acordamos, eu quis fazer uma piada:
-Faz tempo que você fica com homens feios?
-Comecei ontem!
Alguns meses de terapia depois, aqui estamos.
Quando digo feio, não quero dizer horroroso, aquela pessoa mais feia que o saldo no banco ao final do mês. É de simplesmente, em um casal hétero, na maior parte das vezes, a beleza do homem não chegar nem perto da beleza de sua parceira. Olhe ao seu redor, os pares quase nunca são equivalentes. Basta lembrar que a Gisele Bündchen foi casada com Tom Brady.
O Giselo não chega nem perto da Gisele.
Com anos e anos de prática, o homem hétero feio desenvolve suas camadas de confiança e não lembra mais que é feio. Ou simplesmente ignora.
Ele fica ousado.
Assim como a criança que começa a pedalar sem apoio das rodinhas assume novos riscos, ele puxa assunto com pessoas que nunca imaginou dar um beijo antes. Frequenta novas festas, tira fotos sem camisa, se torna uma pessoa destemida.
Muitos de nós já estivemos ali.
O feio confiante é uma pessoa imparável. Ele tem pouco a perder. É como o Rocky Balboa no primeiro filme, todo cenário é melhor do que era antes.
Eis o grande ponto aqui. Em alguns raros casos, da mesma forma que eventos naturais moldam novas fases do planeta e da fauna, o homem desprovido de enorme beleza atinge uma função social perigosa: inspirar a arte de alguém.
Artistas diversas já sofreram por um feio.
Luisa Sonza lançou uma música para homenagear o então namorado, Chico.
Gosto de gente feliz, porque gente feliz se emociona fácil e não irrita. Luisa estava feliz com o tal do Chico, eis que o namoro de poucos meses acabou essa semana, com traição por parte dele.
A cantora leu a carta de término durante o Mais Você, aí você já imagina qual foi o assunto do dia no Twitter!
Pense na pessoa que homenageia um feio e acaba sendo traída. É triste. Como eu disse, a confiança deixa o ser imparável.
Alanis Morissette compôs You Oughta Know para falar de seu ex, Dave Coulier. Veja a imagem do ex-casal e tire suas conclusões:

Quando observamos a história, quase todos os filósofos trazem visões diferentes sobre aquilo que é belo (não o cantor), também gerando a conclusão de que o belo inspira, ou até que gera catarse na alma.
Já a música prova que a inspiração nem sempre vem do belo: o feio também tem seu papel.
Por falar em inspiração…
Onde buscar inspirações para o seu trabalho sem precisar sofrer por um feio?
Tenho lido um livro chamado Hare Brain, Tortoise Mind. Ele aborda muito os benefícios criativos das atividades "não recompensadoras". Coisas como cortar unha, lavar o carro, cortar salada. Essas tarefas cotidianas que tiram a gente do estado de alerta e fazemos no automático. Até comentei sobre isso em outra edição mais orientada aos hobbies.
O lance é que inspiração pode ser algo muito amplo. E não é como um banco, que você deposita vários cheques de inspiração e saca quando quiser. Muito sobre criação, desenvolvimento de ideias e soluções vem de outra coisa.
Em 2019 tive a incrível chance de viajar pela Escócia por alguns dias e descobri que alguns dos maiores sucessos da literatura mundial foram escritos ali, por gente que muitas vezes nem era de lá!
Obras como 1984, James Bond, Harry Potter, entre outras, foram criadas em solo escocês! Seus autores ficaram isolados em ilhas, casas ou cafés afastados de suas rotinas diárias. Em um vídeo recente que assisti, um autor comenta ter o cômodo de escrita separado da casa.
Isso tudo porque uma das maiores "fontes" de inspiração que alguém pode ter é a contemplação. Contemplar sem interrupções é quase mágico! Estudos como o da Universidade de Berkeley apontam que o cérebro leva cerca de 8 minutos para voltar ao foco após uma distração. Portanto, se você opera com o mínimo de interrupções, a cabeça vai longe.
Dá pra contemplar um belo ambiente como as vistas da natureza escocesa, uma folha em branco ou a vida acontecendo. Conheço pessoas que marcam reuniões com elas mesmas em suas agendas. Um período sem celular, notificações ou fontes de informações externas começa como algo incômodo, de repente vira momento de clareza.
Ou seja: se deseja criar melhor, procure ambientes e rituais que auxiliem o foco.
Ou namore um feio e use o sofrimento como contemplação.