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Lobotomia por delivery, peça agora!
São tempos estranhos, mas nem tanto.
Os tempos antigos estão na moda
80 anos atrás o mundo não era tão diferente assim. A sociedade ainda achava estranho que mulheres tivessem direito ao voto, hoje parte da sociedade acha estranho que mulheres tenham tatuagem de borboleta ou simplesmente não queiram ser agredidas. Naqueles tempos, novas tecnologias como a TV impressionavam tanto quanto a AI nos impressiona hoje.
A moda era ser macho alfa, bancar seu lar e ter um tanto de filho.
Em 2026 temos os movimentos red pill, que eu carinhosamente chamo de broxões pregando algo similar.
O mundo é muito cíclico.
Sobre a tal da lobotomia
Ainda no mesmo período da história, surgia uma prática cirúrgica revolucionária! A lobotomia trazia a promessa de resolver algumas questões de saúde através de várias punções no cérebro. Um ser abençoado cortava pedaços do seu cérebro com um tipo de picador, puxava com uma pinça pelo seu nariz e agora você ficava com seu cérebro muito similar ao de uma pessoa antivacina.
Não tenho nenhum tipo de problema com pessoas antivacina, até porque elas não vivem tanto assim a ponto de valer a discussão.
O ponto é que hoje a lobotomia acontece no conforto do lar, dura pouco tempo e não causa dor. Ao menos não no paciente, só nas pessoas próximas!

Eu não acreditava nisso
Lembro até hoje de um discussão que tive com minha professora de teoria da comunicação em 2011! Ela dizia que as redes sociais deixaria a sociedade mais burra e mais viciada, eu discordei na mesma hora.
Veja bem, como assim uma pessoa acadêmica da comunicação poderia saber mais do que eu, que estava na área há 3 anos e produzindo campanhas para grandes marcas através das redes?
É claro que ela estava certa.
Mas ao mesmo tempo…
Sim, você e eu sabemos o impacto negativo do volume de estímulos frequentes em redes como Instagram, Youtube, Tiktok etc. Só que talvez, assim como eu, você tenha enorme parte do seu trabalho atrelada à presença nas redes.
Eu preciso ver anúncios, clicar neles, analisar vídeos e inclusive escrever roteiros e estratégias que podem gerar centenas de milhares de reais através das redes.
Como seguir nas redes sem sofrer uma lobotomia moderna?
A descoberta veio como um tapa na cara

Esse dia foi loco
Na foto acima eu entrevistava Ryan Holiday, autor de livros como O Ego é Seu Inimigo, Diário Estóico e Acredite, Estou Mentindo. Ele tem presença frequente em várias redes, mas fala de estoicismo, que é aquela filosofia da moda.
Em certa parte da conversa, abrimos o microfone para a platéia e então veio a pergunta do querido Pedro Cortella:
- Ryan, enquanto um grande nome do estoicismo, que prega o desapego, e também um influenciador… Como é seu consumo de redes sociais?
Em linhas gerais, Ryan comentou que não consome. Ele produz, joga para o time editar e publicar. Ele não lê comentários, mensagens ou memes (que vida triste). Eu duvido que Marco Aurélio não curtiria uma fofoquinha de Instagram.
Mas era uma boa resposta.
Existe uma balança no trabalho “digital”.
Se você está consumindo muito, significa que produz pouco. Se produz muito, consome pouco. Quanto mais peso em um lado da balança, menos do outro lado, a relação é bem direta.
Como evitar a lobotomia moderna?
Eu honestamente não sou fã da ideia de completo isolamento! Ontem mesmo escutei um caso maravilhoso: a pessoa responsável pelas redes sociais da empresa de um amigo meu estava em quaresma e, como penitência, ficou fora das redes. O que incluiu o fato de ela passar 40 dias sem gerenciar as redes do meu amigo.
A risada que eu dei foi tão alta que quase fiquei sem voz!
A questão é que a maneira de preservarmos nossa inteligência e produtividade não é bem ficar pensando sobre isso. É simplesmente produzir.
Como inclusive o livro do Ryan Holiday sugere: O obstáculo é o caminho.
Se você tem bloqueios criativos, fica se comparando muito com outro colega ou pensando demasiadamente na produção de conteúdo, nas tarefas do dia ou em como se diferenciar no mercado… Pare de pensar e comece a agir.
Só não pare de pensar do ponto de vista de raciocínio, assim como os redpill e seus similares! É parar de pensar nos problemas, encontrar um ritmo de produção e esperar.
Nem sempre a produção gera resultados, mas ela pelo menos preserva seu cérebro!