Muito poder em poucos segundos
As palavras acima poderiam descrever a performance de grande parte dos homens na cama, mas na verdade é a maneira como um foguete sobe. Em menos de 30 segundos, um foguete qualquer vai de 0 a 2.183 km/h. Quando começa a subir e solta aquela partezinha que cai pra trás, ele normalmente passou dos 10.000 km/h.
Sempre que acontece um mega lançamento de foguetes como a recente Artemis II, ou quando algum bilionário maluco fala de levar a humanidade à marte, existe um comentário padrão:
“Mas pra quê? Não era melhor gastar dinheiro nas coisas que estão na Terra?”.
Olhando objetivamente, faz sentido. É meio que inútil colocar bilhões de dólares em uma máquina gigante que leva meia dúzia de militares para olhar a Lua e falar: daora.
Mas o que acontece entre um projeto desses começar, e a tripulação voltar da missão?
A inovação é o playground da mente criativa
Quase nunca você faz uma descoberta muito útil de forma intencional. Brinquei acima sobre a galera que finaliza o forró após duas sanfonadas, mas, por exemplo, o Viagra nasceu de uma pesquisa que buscava encontrar formas de controlar a pressão alta. Acabaram encontrando um jeito de mandar pressão para outro lugar.
Ainda no campo da saúde. Astronautas precisam de acompanhamento dos sinais vitais em tempo real. Isso fez com que muito da tecnologia de monitoramento cardíaco remoto avançasse, e com tais avanços, as mesmas tecnologias começam a ficar disponíveis em UTIs, ambulâncias e até naquela sua cinta cardíaca plugada no relógio de corrida.
O mesmo vale para lentes anti-risco, termômetros infravermelhos, fibra de carbono e até detector de fumaça.
É na execução de coisas “inúteis” que aprendemos o caminho das descobertas úteis, assim como crianças que brincam mais acabam desenvolvendo habilidades sociais, coordenação motora e até matemática.
E é exatamente por isso que hoje em dia você e eu sofremos tanto para criar algo novo.
Nós estamos viciados em utilidade. E tem sentido isso, afinal, somos pagos por entregarmos trabalhos úteis.
É preciso abraçar o inútil
Não estou dizendo para você abraçar aquele parente do dono da empresa que chegou ali tão misteriosamente quanto uma vaca pode parar em cima de um poste.
Só que estamos presenciando uma revolução na forma de criar e executar. Todo santo dia vai surgir alguma facilidade envolvendo inteligência artificial e sua vida cotidiana. Você vai se afogar em notificações, tutoriais e assinaturas. Vai tentar encontrar formas de melhorar seu trabalho da maneira mais linear possível.
E vai travar.
Sabe por quê?
Por olhar apenas objetivamente.
Uma das formas de não travarmos em relação a qualquer tecnologia é encará-la como uma criança encara uma caixa com 10 mil peças de Lego:
Com vontade de explorar.
Semana passada eu criei uma das coisas mais inúteis que já fiz. Um site de mapeamento de imóveis em leilão. Não seria tão inútil se eu já não pagasse uma ferramenta que o faz, mas no processo eu entendi algumas dezenas de limitações de sistema que eu jamais entenderia ao criar apenas uma página de captura de e-mail e Whatsapp para clínicas médicas.
Na brincadeira de exploração mora a descoberta.
Faça coisas inúteis. Brinque mais.
Ah, já estava esquecendo!
Se você é da medicina, tenho um convite especial. Meu amigo Dr. Guilherme Giorelli e eu iniciamos uma newsletter semanal chamada O Mercado por Trás da Medicina. Ela une notícias da saúde com o impacto delas no seu consultório. E como se destacar no mercado. Sou suspeito para falar, mas está muito boa!
Forte abraço!

