Falhar e falhar até conseguir

Sabe aquela velha frase que diz "não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez"? Pois bem.

Um ano atrás ouvi falar pela primeira vez de um treco chamado "Audax", que é como carinhosamente os ciclistas apelidam os Brevets de 200, 300, 400, 600 e 1.000km. É isso aí, você recebe um brevet por cobrir as distâncias acima dentro de um limite de tempo. Pensei: um dia quem sabe. 

O brevet de 200km, por exemplo, tem limite de 13 horas e 30 minutos para ser cumprido, virou minha meta. É só manter 16km/h e tá tudo certo! Treinei, fiz dieta, treinei, preparei a bike, me inscrevi no desafio e fui pra cima! Peguei subida pra caramba, estrada, sol, chuva e… Desisti no km 125.

Algum erro de posição ou de ajuste me fez começar a sentir cãibras ainda no km 80 e elas ficaram mais intensas ali pelo km 110, me preservei, chamei um conhecido e ele me buscou no meio da estrada. 

Falhei, mas tentei e ainda fiquei feliz com a falha. Primeiro porque eu nunca havia pedalado em tantas subidas, segundo porque nunca tinha passado mais de 5h consecutivas na bike, então não sabia de fato como era um endurance. Voltei para casa, revisei os pontos críticos e mudei os treinos. 15 dias depois, participei de uma prova e tive minha melhor média de velocidade até hoje. 

Não sabendo que era impossível continuei não conseguindo, mas uma hora vai!

Num evento recente o Paulo Cuenca, referência em conteúdo de Youtube, comentou que, se você quer começar um canal, é bom planejar 104 títulos logo de cara, para testar 2 vídeos por semana. Em conversas com o Érico Rocha, ele já disse que grande parte dos empreendedores leva entre 5 a 7 campanhas de lançamento para finalmente atingir a meta inicial de um negócio. 

Falhar é um processo não apenas positivo, como necessário. Falhar é o que te deixa com melhor preparo nos momentos de crise, e também o que te apresenta insights valiosos sobre o que você achou que sabia. 

Eu achava que bastava manter um ritmo de 16km/h. Eu não me liguei que precisava estar pronto para mais de 2.900m de subidas acumuladas.

Certo conhecido disse recentemente que estava com medo de testar uma ideia em vendas e ela não melhorar a conversão. O padrão de conversão de campanhas como a dele é de 2% dos participantes, o que significa que, ainda que ele erre, precisa ser um baita erro para ser pior do que já acontece.

Assim como nas vendas, na ciência você também falha muito mais do que acerta. Um bom estudo científico precisa falhar diversas vezes até atingir o ponto necessário de confiabilidade. Consumindo materiais da pesquisadora Amy Edmondson, uma cientista especializada em comportamento humano, ela cita diversas vezes a importância do erro na construção de algo funcional. Inclusive repete a frase: se você evita o erro, evita descobertas.

Aquela sua ideia que nunca saiu do papel, aquele teste que você não propôs, aquela apresentação que você postergou por medo de dar errado ainda não teve sequer a chance de dar certo porque você acha que o erro vai ser ruim. Mas a real é que esse erro só incomoda por uns minutos, depois vira parte da construção.

Inclusive, leia o livro Right Kind of Wrong, da própria Amy Edmondson.

Já faz quase 4 meses que o ano começou, e como anda aquele plano de ano novo?Tá parado por falta de recursos ou por medo de dar merda?

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P.s: me deu vontade de escrever.