Ser besta tem suas vantagens

É muito fácil se impressionar quando a gente é altamente leigo em algum assunto, ou levemente besta. Por não termos completa noção das mecânicas e razões que envolvem feitos aparentemente complexos, observamos impressionados o que pode ser trivial para pessoas mais experientes.

Por exemplo, tenho uma amiga que é engenheira de planejamento de obras. Ela consegue prever e controlar com desvio máximo de 1% o custo total de um prédio com 20 andares e 128 apartamentos com vagas de garagem, lojas no térreo e sujeito a correção de índices econômicos durante os dois anos de obra. Eu ao mesmo tempo que estouro meu orçamento em 350% quando piso em uma Leroy Merlin, vejo as planilhas de cálculo dela com o queixo no chão.

Se eu largasse tudo o que faço hoje para estudar essa área da engenharia, ainda seguiria sendo besta e observando os números de maneira incrédula por uma década ou mais.

Nem sempre a gente consegue deixar de ser besta. Mas tenta.

Quando começou todo o alvoroço por conta das ferramentas de AI chegando ao público geral com preços acessíveis, eu já era gerente em uma grande empresa de tecnologia e sabia que, cedo ou tarde, os Países Baixos seriam impactados por um Tsunami (a água bateria na bunda). Mas não me preocupei muito em talvez ficar pra trás em tudo que envolve AI, porque sei de duas coisas:

  1. Ferramentas de AI não criam, elas mixam;

  2. Fundamentos importam mais que tendências

Veja bem, eu uso pelo menos 4 ferramentas de AI todo dia e consigo um aumento de produtividade absurdo. Sem ser expert nisso, sem cair em todo o papo messiânico de “agora chegou a nova solução definitiva para X” e sem virar o doido que gasta um salário em assinaturas. Até porque nem salário eu tenho mais.

Eu digo isso porque sei que, em algum momento, você provavelmente sentiu que estava perdido ou perdida em relação ao que outras pessoas começaram a fazer com GPT, Gemini, Claude e suas associadas.

E aí você pensa: “Eu devo ser uma ameba. Tem gente criando música, vídeo, aplicativo, site… E eu aqui usando o GPT para fazer mapa astral”.

Calma lá pequeno gafanhoto. Desde que o mundo é mundo, cada pessoa usa ferramentas de maneira especializada e conquista ali resultados fora da média. Você por acaso se sente uma fraude por ter pernas e não fazer os mesmos movimentos avançados de uma bailarina?

Ou sente aquela baita síndrome de impostor porque o financeiro da sua empresa destrói no Excel e você não usa mais que um Procv e algumas formatações?

Por isso os dois pontos que citei acima são relevantes para não nos desesperamos quando chega uma solução revolucionária. E eles nos deixam menos bestas.

É muito importante focar no que importa

Sim, você e eu precisamos aprender sobre essas ferramentas assim como a turma 45+ precisou evoluir da máquina de escrever para o computador. Só que assim como foi com o uso do computador, a grande questão é:

Mas o que você precisa fazer?

Do meu ponto de vista, tentar iniciar o uso de qualquer tecnologia olhando apenas os absurdos possíveis é o caminho certeiro para transformar aquele olhar impressionado em frustração contínua. Aí a gente além de continuar besta, entra em negação.

Hoje meus planejamentos de consultoria que demoravam 3 dias são realizados em aproximadamente 4 ou 5 horas de trabalho. E só demoram isso tudo porque eu faço questão de revisar cada vírgula e ainda escrever boa parte sem depender das máquinas.

Inclusive porque isso não apenas melhora a AI em si, como também previne que meu cérebro entre em estado de apodrecimento por depender completamente de um algoritmo.

Gosto de enxergar cada ferramenta como um aprendiz ou estagiário no meu time. Eu não quero que eles resolvam toda a minha vida, só quero que eles aprendam a fazer aquilo que eu acho chato, demorado e repetitivo, mas necessário.

E se eu deixá-los bem treinados, eles começam a evoluir, me salvam ainda mais tempo e eu passo a dar tarefas avançadas, enquanto foco no que eu realmente sei fazer.

É assim que a gente deixa de olhar para uma ferramenta espetacular com a cara de besta e começa a usar com intenção.

Sabendo que as ferramentas mais mixam do que criam e que seus fundamentos importam mais que as tendências, vou te contar um segredo simples para utilizar qualquer AI no seu trabalho todo dia: basta perguntar para a própria ferramenta como ela pode te ajudar.

Simples né?

Na verdade tem algumas camadas adicionais de interação que ajudam bem. E eu as explico no vídeo abaixo:

Inclusive essa thumb foi criada em 2 minutos e com poucos ajustes

Ao clicar na imagem acima, você verá um vídeo com menos de 7 minutos, mas com a lógica extremamente simples para adotar essas novas tecnologias sem virar o usuário fanático, e deixando de lado parte da frustração com o volume de novidades.

O mundo vai muito além do uso de chats e prompts, mas é interessante entender antes como otimizar aquilo que você já faz muito bem.

Entendo disso, você tem mais tempo para criar melhor, estudar mais, melhorar o nível das atividades que gosta e ainda evita ficar pra trás na corrida do ouro que talvez possa ser de tolo.

Combinados?

Vai lá ver, porque a thumb pode ser artificial, mas o roteiro é raiz.

Continue lendo