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Como lidar com o medo de falhar em público?
Sim, falhar. Porque vai acontecer uma hora ou outra. Mas você pode contornar muito bem o problema!
Já faz um tempo que você atua na sua área. Tempo o suficiente para saber de uma coisa ou outra, de ter um certo reconhecimento entre colegas, de ser a pessoa que tira aquela dúvida de alguém novato.
Ou seja: você sabe o que faz.
Mesmo assim, quando te pedem para fazer uma apresentação em público, seja para 5, 15 ou 300 pessoas, ou até se for para explicar um novo projeto ou ideia, o pânico toma conta do seu cérebro e do seu corpo. Só de se imaginar na frente de tantos rostos desconhecidos, uma gota de suor gelado escorre. E você aceita o desafio!
Eis que sua mente começa a levantar algumas questões.
"E se eu travar? E se eu esquecer, se me der nervosismo? E se rirem de mim? E se alguém parar minha apresentação, me der um tapa na cara e me chamar de fraude?"
Lá no fundo você tem o desejo de se comunicar bem, transmitir suas ideias sem medo de congelar, sem medo de que alguém entenda errado. Mas a ansiedade é tão forte quanto o desejo e ela se transforma no medo de falar em público.
Pois bem, a primeira coisa que eu posso te dizer é que a maior parte dessas preocupações acima faz sentido! E está tudo bem em se preocupar, mesmo com a mais improvável delas. Eu mesmo faço apresentações e palestras como rotina de trabalho há mais de dez anos e ainda fico nervoso!
Isso aqui foi durante uma palestra recente:

A grande questão é que a pura preocupação não resolve nada, só piora. Quando meus batimentos vão de 63 a 130 ou 138, não vou tratar isso com mais café, um chá ou até cerveja. Eu vou seguir passos básicos que me trazem de volta à realidade! Agora quero compartilhar com você os meus passos para lidar com o nervosismo ao falar em público:
1. Foco na respiração
Lembro até hoje da primeira vez que busquei orientação para melhorar a oratória. Ficamos praticando a respiração pelo diafragma por quase uma hora. Se não bastasse isso, nas outras sessões também pratiquei pausas, coordenação de braços com a respiração e até movimentos de balé (imagine a cena). Isso tudo foi para entender que a respiração manda em praticamente tudo durante uma fala!
Se você percebe que está com aquele nervosismo absurdo, a voz trêmula, ou esquecendo de algo importante, a primeira coisa a fazer é parar por uns segundos, puxar o ar pelo nariz, soltar pela boca e prosseguir. Ajuda muito mais se você aprender a respirar com a barriga (usar o diafragma). Isso te permite ficar com a voz mais firme e menos trêmula, além de dar mais fôlego. As pessoas te escutam melhor, você também sente mais confiança ao ouvir a própria voz.
Ou seja: sempre pare e respire. Só de fazer isso você já consegue influenciar até a ansiedade de quem está vendo.
2. Vulnerabilidade conecta
É mais fácil encontrar alguém que morra de medo de palco do que alguém confortável com ele. A maior parte das pessoas que vão te assistir teriam pavor de estar no seu lugar! E ao mesmo tempo, estar no palco é meio que um sinal de reconhecimento. Quem está conduzindo uma apresentação é visto como autoridade no assunto, e isso tem suas vantagens! Se você assume que aquela situação te causa certa ansiedade, certo nervosismo, mas que você está ali pelo compromisso de levar um conhecimento ou informação para um público tão relevante, a conexão é imediata!
Na imagem logo acima meus batimentos cardíacos estavam a quase 140 enquanto eu palestrava para 200 empresários altamente capazes e exigentes. E eu disse isso a eles!
Disse que nunca me acostumava com aquele palco apesar de estar ali sempre, porque sabia que eles são bons no que fazem, que cada conteúdo apresentado precisa ser relevante e que isso dava ansiedade, mas precisava ser feito. Na mesma hora vi diversas pessoas se inclinando para frente e senti meu coração mais tranquilo.
Funciona toda vez!
Ou seja: não tenha medo de verbalizar seu nervosismo. Só não exagere.
3. Dedique tempo aos ensaios
Um (bom) músico já sabe o repertório dele, e mesmo assim ensaia sempre que pode. Não é diferente com uma atleta de elite que compete no mesmo esporte desde criança ou atores e atrizes.
O treino auxilia na memória muscular, na identificação de pontos falhos, de possíveis ganchos e mensagens. Também vai gerar uma boa ideia de quanto tempo você está usando. Ensaiar uma apresentação é chato, toma tempo e você vai odiar. Faz parte. Se possível, treine sua apresentação com mais alguém que não vá te interromper, apenas assistir e dar feedbacks depois. Ao mesmo tempo, não deixe de gravar os ensaios para ouvir depois.
Ano passado tive uma das minhas piores apresentações em muito tempo! Mesmo com mais de dez anos praticando isso, caí na cilada de criar algo 100% novo e não ensaiar antes, aí já sabe né?
Cheguei no evento, fiquei nervoso, mas fui pro palco e comecei. Pouca gente se conectou, a narrativa ficou confusa e o final foi horrível. Assistindo a gravação depois, ficou claro que eu não tinha dominado bem o fluxo da apresentação e comecei a me confundir. Erro que poderia ser evitado com 2 ou 3 ensaios de meia hora cada.
4. Joelhos relaxados, corpo inclinado, postura tranquila
Comunicar vai muito além da voz e das mãos. A sua postura em um ambiente costuma ser reflexo de como você está se sentindo e ao mesmo tempo transmite uma certa imagem a quem está do outro lado. Só que além de ser um reflexo das sensações, você pode inverter essa lógica e adotar posturas que vão melhorar como você se sente!
Pense na meditação, por exemplo: ao adotar a posição de meditar, você já entende que é um momento de tranquilidade e foco. No caso do palco é possível usar inúmeras posturas diferentes, mas a minha preferida é essa aqui:

Ao deixar os joelhos levemente relaxados e flexionados e projetar o peso do seu corpo sobre o peito dos pés, você vai sentir uma pequena inclinação. Nada no nível Michael Jackson em Smooth Criminal, mas seu corpo fica um pouco projetado para frente. Para quem está assistindo, você "cresce". Domina, passa confiança. Essas pessoas vão prestar mais atenção na sua fala e, ao mesmo tempo, você passa a perceber que se sente mais confiante quando se posiciona assim durante uma fala.
Com um tempo de prática, fica completamente automático.
5. O obstáculo é o caminho
Esse negócio aí de obstáculo ser o caminho vem das Meditações de Marco Aurélio. Ele usa como parte do argumento de que o que impede a ação deveria acelerar a ação. Basicamente, se você tem nervosismo ao falar em público, se a ideia te deixa sem chão, suando frio, saiba que esse medo só vai passar se você encará-lo de frente. Quanto mais vezes essa situação for encarada, menos desconfortável ela fica.
Portanto, não desperdice chances de expor suas ideias, de apresentar projetos ou cases, de mostrar o que você sabe. O frio na barriga vai continuar presente, mas cada vez mais tolerável.
Vale dizer que nenhuma dessas dicas é a solução definitiva para um quadro de timidez e ansiedade, eu nem seria capaz de escrever algo assim! Encare cada um desses passos como algo paliativo, que pode te causar aquele alívio de curto prazo.
Se você tem uma voz, por que não usá-la?