Adote a burrice e seja feliz

E eu não estou brincando!

Ser burro não é legal, mas depende

Mês passado, enquanto eu viajava pela Itália e comia milhares de sanduíches de mortadela em Bologna, um pensamento visitava minha mente com certa frequência:

“Eu nunca comi mortadela de verdade”.

No Brasil a melhorzinha que tem é Ceratti e, mesmo sendo gostosa, não chega nem perto de uma mortadela artesanal que veio direto da fonte.

A mesma coisa acontece toda vez que eu converso com alguém notavelmente inteligente! Toda vez eu começo achando que sou alguém minimamente esperto e acabo me sentindo um completo idiota.

Sabe o pior? Acho isso ótimo.

O que aprendi com pessoas inteligentes

Semana passada mesmo assisti a uma palestra do Guilherme Freire que me abriu os olhos a inúmeras questões que eu nunca havia compreendido.

O que mais percebo nessas pessoas é que elas vestem uma capa de curiosidade. Sempre que alguém muito inteligente tem contato com uma pessoa que vive algo muito diferente, essa pessoa entra em um modo de interesse e curiosidade extremos.

Fazem perguntas genuínas que podem até parecer burrice, mas com um brilho nos olhos!

Exemplo que aconteceu comigo: Quando conheci o Luiz Felipe Pondé, conversamos sobre diversos tópicos e ele questionou se ter filhos não era um dos meus planos. Como muitas pessoas da geração atual, comentei que não, ele perguntou os motivos.

O Pondé sabe muito bem os motivos gerais pelos quais muita gente opta em não ter crianças hoje. Dinheiro, tempo, priorização de experiências, egocentrismo, essas bobagens. Ele não aprenderia uma nova razão ali, mas aconteceriam duas coisas.

Primeiro, ao se colocar na posição de “ignorante”, ele usa de táticas de carisma para fazer a conversa continuar fluindo e causando um senso de relevância em mim. Segundo, ele capta um outro ponto de vista sobre algo que ele já sabe, mas agora pode abordar ou explicar de outra forma.

Já vivi experiências assim de gente incrível levantando questões “bobas” inúmeras vezes! Com Manu Gavassi, Cortella e até Tony Hawk.

Mas existe um risco nessa prática.

O preço do carisma

A linha que separa interesse, ignorância genuína e burrice é quase invisível e, com certa frequência, a gente passa por cima dela sem perceber!

Muitas vezes você faz uma pergunta genuína por interesse ou ignorância e alguém te acha burro. Dependendo do ambiente, vai pegar mal. Só que tem um outro ângulo aí!

Em todos os cenários, você está dando a chance de a pessoa explicar algo como se você não soubesse nada sobre aquilo. Se a interação não ultrapassou o limite da estupidez, vocês estabeleceram um diálogo e ambos aprenderam algo!

Eu aposto que você eventualmente assiste a entrevistas em programas de TV e podcasts e fica com certa perplexidade em algumas perguntas, certo?

“Como pode esse apresentador não saber disso?"

Dica: ele sabe. Mas o papel é fingir que não sabe, assim a outra pessoa ganha um palco.

Esse é um dos nosso grandes erros!

Sabe por quê?

Sempre que você ou eu observamos uma dúvida de alguém e a julgamos como estúpida, estamos caindo no viés da maldição do conhecimento.

Este é um viés que assombra toda pessoa especializada em um assunto! Quanto mais você domina aquele tema, menos se lembra de como era não saber sobre aquilo.

Você começa a pensar que todas as pessoas sabem sobre tal coisa no mesmo nível que você. E assim como o interesse pode ser confundido com burrice, a inteligência pode ser lida como pedantismo.

Essa turma inteligente que a gente admira entende isso muito bem! Eles entendem que muitas vezes é melhor “receber uma lição” e desenvolver a relação do que ter as portas fechadas por conta da arrogância involuntária.

A boa notícia

Assim como doenças podem ser tratadas, vieses de comunicação também!

Eu gravei um vídeo de 8 minutos te mostrando como destruir a maldição do conhecimento no seu dia a dia e reter muito mais a atenção de outras pessoas em conversas, aulas e apresentações!

Só apertar ali ó:

Sim, é uma imagem de AI, agora clique nela!

Moral da história:

As pessoas mais inteligentes que você encontrar por aí não morrem de medo de serem vistas como alguém menos inteligente.

Elas eventualmente serão confundidas e tomadas como burras, mas esse é o preço do carisma e do aprendizado.

Não tenha medo da burrice, abrace-a. Mas não muito.