Bruce Lee e os bitcoins

Também falei do Coyote e Papa-Léguas

Todo mundo tem aquele amigo ou amiga meio Gabriel Medina: tá sempre surfando alguma nova onda.

A pessoa diz que Bitcoin é o futuro da sociedade, coloca mais dinheiro ali do que na corretora de verdade, fica 6 meses e pede arrego.

Beach Tennis? Faz 2 meses e pula fora. Surgiu uma moda nova em qualquer área, essa pessoa tá ali. Seja passando um ar de early adopter ou de alguém ligado em tendências, essa pessoa tá sempre pulando de galho em galho

Não é só nas modinhas mundanas.

Acontece a mesma coisa no mercado financeiro: algumas empresas e fundos passam a valer mais e, com isso, atraem novos investidores que ficaram de olho em tendências de alta. Essa galera vive comprando a ação da moda e se ferrando no curto prazo.

Foi o que rolou com Magalu, por exemplo (que Deus a tenha):

Antes de realizarem seus aportes, esses novos investidores não seguiram análises básicas e muitas vezes nem pensaram em estratégias sólidas, só aproveitaram a maré. E ganharam dinheiro, mas não tanto quanto quem seguiu um caminho mais lento, mas de solidez no perfil de investimentos. 

Não que eu seja alguém com excelente domínio financeiro, mas olha o que aconteceu comigo quando aprendi a pensar mais na estratégia que na oportunidade:

Eu tinha R$ 10 e agora tenho R$ 16,79!!!

Inclusive quando observamos alguns dos maiores nomes de finanças não só no Brasil mas fora dele, essas pessoas costumam ter carteiras muito bem estruturadas e com mais foco num futuro mais longe que Itaquera do que mudanças de rota. 

Investidores de longo prazo costumam não se desesperar quando as mudanças externas chegam.

E isso acontece porque princípios valem mais do que tendências.

Se trouxermos os exemplos acima para o marketing e modelos de negócios, a coisa nem muda tanto!

Gosto de observar os maiores e mais consistentes nomes do mercado e percebo que eles tratam suas cartas de estratégias como uma carteira de investimento: 

Identificam quais os investimentos que geram mais resultados previsíveis e confiáveis e não abandonam esses investimentos. Pelo contrário: aportam mais recursos mês após mês. Nunca abandonam o feijão com arroz.

Então observam quais as possíveis tendências, até fazem alguns testes e entendem os pontos fracos e fortes das tendências. 

Quando percebem que existe espaço para retornos interessantes, dedicam parte do esforço a desconstruir, testar e estressar aquela tendência, até entender se ela pode ser inserida ou adaptada aos princípios da carteira de investimentos.

E por que resolvi falar disso?

Porque dezembro tá logo ali na esquina e já já começam os mil artigos sobre "tendências para seguir em 2024".

Assim como uma pessoa viciada em noticiários pode desenvolver reações cada vez piores ao material consumido, alguém que é estrategista e fica viciado em tendências e hacks se torna refém do próximo passo, gastando até mais tempo e recursos do que alguém que olha para a estratégia macro de um negócio. 

É como o Coyote tentando capturar o Papa-Léguas: sempre chegando perto, nunca alcançando, e com frequência se fodendo. 

Portanto, antes de se desesperar ou desenvolver uma ansiedade bizarra ao consumir qualquer material sobre o que deve acontecer em 2024, lembre-se: as novidades jamais devem ser ignoradas, mas os princípios ainda são mais valiosos que as tendências.

"Eu não tenho medo do homem que praticou 10.000 chutes diferentes, mas sim do homem que praticou o mesmo chute 10.000 vezes." - Bruce Lee