Não faz muitos dias que assisti a um vídeo do espetacular Rick Rubin dizendo ser um “lazy workaholic”. Ele se coloca como alguém que tem certa dificuldade em se colocar para trabalhar, mas quando o faz, dedica muito tempo a algo.
Na mesma linha, lembrei de uma passagem no livro “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, na qual o protagonista diz algo como “nós jamais vamos dominar uma nação ou vencer uma guerra. Porque nós não somos obcecados. Não somos completamente malucos por aquilo, e gente que faz essas coisas precisa ser obcecada, megalomaníaca". Não é exatamente isso mas a passagem é tipo isso.
Já na vida real, acompanho pessoas como Breno Nogueira, educador financeiro e influenciador que tem a pegada do “viciados em viver em paz”. O Breno empreende, fala de dinheiro, defende a ambição da vida boa, mas não a qualquer custo.
Outra pessoa da vida real nessa mesma linha de “não vou me sacrificar até o limite” é a querida Leticia Imai. Você passa pelos conteúdos da Letícia e sente uma pegada “está tudo bem crescer no seu ritmo, apenas preste atenção”.
Pois bem. Eu sou formado e forjado em um mercado orientado a grandes números. Sucesso, no empreendedorismo digital, costuma ser a exibição de alguns troféus que custaram muito caro. Recordes de faturamento, carro bonito, casa em condomínio de alto padrão. E eu inclusive acho isso muito válido!
Você merece viver a visão que acredita ser o sucesso.
Mas ele não é o único caminho.
Recentemente pude trabalhar nos bastidores de um negócio que sempre admirei. Foi uma bela experiência, mas com muitos alertas. Sempre que nossa pauta era a meta de crescimento do negócio, as ideias originais começavam a demonstrar um risco muito grande e, paradoxalmente, operávamos em uma linha que já era conhecida e previsível.
Só que mesmo a linha previsível começou a não funcionar tão bem. A coisa foi perdendo liga e comecei a perceber que mesmo o grande cérebro por trás daquela operação também já não estava criando tanto.
Quando empresas e pessoas atingem este ponto, é comum que o sucesso vire maldição.
Você atingiu patamares que são caros de manter, números raros e entregas complexas, seu trabalho vira um castelo de cartas e a tolerância ao erro passa a ser muito baixa!
A autora Amy Edmondson aponta que equipes mais abertas às falhas oepram melhor. Só que como aceitar mais falhas quando sua métrica deixou de ser a visão e passou a ser apenas o número?
Logo, você passa a acreditar que seu negócio ou carreira estão fracassados, pois a métrica definida deixou de ser bonita.
E isso enquanto você talvez já esteja entre as top 5 ou 10% pessoas mais bem remuneradas na sua área de atuação, mas a sede e a comparação te deixaram com uma visão turva.
Do meu ponto de vista, cada vez mais pessoas como Breno Letícia e o próprio Rick Rubin mostram que pessoas que vivem suas obras sem deixarem a obsessão ser o grande drive conseguem construir bons ambientes, produtos e negócios.
E é isso que eu vejo como um possível caminho saudável em negócios digitais: a ambição pela boa criação ser tão forte quanto a monetária.

