A importância do fracasso na criatividade

E isso aqui não é um texto motivacional

Não sei você, mas eu sou muito bom em fracassar. Inclusive a própria ciência é muito mais pautada nos fracassos que nos sucessos, doideira, né?

Já comentei em outras edições sobre o papel do erro nas descobertas. No entanto, fracasso é outra história, é diferente de erro. Você pode fazer tudo certo e ainda fracassar, ou falhar, se assim preferir! 

Acredito que enquanto o erro é quase que completamente nascido de fatores internos, o fracasso já tem mais probabilidade de interferências externas, o que também não significa que é só isso. Quando eu falo de a ciência se pautar pelo fracasso, quero me referir ao fato de que não é raro um experimento só dar certo quando as tentativas já passaram das centenas! Qualquer coisa que deu errado mais de 100 vezes já conta com menos de 1% de sucesso, é uma conta bastante simples!

Como cientistas lidam com o fracasso?

Eles internalizam toda a corag…. Brincadeira! Não vamos pablomarçalizar isso aqui, há limites pra tudo!

Essa galera aprende desde o começo da carreira acadêmica que um acerto pode compensar centenas de falhas, logo cada cientista sabe que o fator de sucesso em um experimento pode, muitas vezes, ser decidido pela quantidade de tentativas bem documentadas. Processo de vendas não é muito diferente, viu? 

Em lançamentos de produtos digitais o normal é converter em clientes algo entre 3 e 7% de quem foi exposto a uma oferta. Logo, a meta básica em toda estratégia de vendas é compensar o baixo volume de sucessos com alto volume de tentativas, até que os “poucos sucessos” comecem a representar mais volume líquido. 

Tem até uma lei matemática pra isso, ela se chama Lei dos Grandes Números, mas eu não estou aqui pra falar dela, e sim de como fracassar bem sem deixar a peteca (leia-se confiança) cair.

Uma frase que pode ter sido dita por Mike Tyson, Einstein ou Clarice Lispector é aquela de que todo mundo tem um plano até tomar o primeiro soco. São tempos difíceis para descobrir o verdadeiro autor de qualquer coisa, no entanto o que foi dito é real: poucos planos sobrevivem intactos ao plano de batalha!

Como exemplo do uso de volume de fracassos a seu favor, vamos supor que você queira criar um canal de Youtube. Não é bem uma regra, mas o Youtube tende a favorecer canais que publicam pelo menos 2 vezes por semana, o que demandaria mais ou menos 104 vídeos por ano. 

Você pode seguir todas as boas práticas de thumb, título, descrição, duração e ainda assim os primeiros vídeos tendem a não funcionar muito bem. Logo, depois de um mês, você desiste, afinal, quais as chances de dar certo?

As chances na verdade são altas! Testando só variações dos três mesmos elementos básicos (título, thumb, descrição), dá pra ter no mínimo 312 versões dos 104 vídeos originais sem alterar o conteúdo em si, apenas o que chama a atenção da audiência.

O que você precisa é repetir a coisa certa por tempo o suficiente até contar com a certeza de que está obedecendo ao método proposto e analisando os indicadores da forma certa. Olha que bacana esse story que o Aloísio publicou outro dia:

O Aloísio é estrategista de Youtube, canais criados ou gerenciados por ele já somam mais de 10 bilhões de views, acho que o rapaz tem certa expertise né?

Por que eu usei a frase do Mike Tyson?

Porque qualquer planejamento precisa contar com as volumosas chances de fracasso! Essa é a diferença entre planos que apenas dão errado e planos que apresentam melhorias após cada tentativa. Não é papo motivacional, é sobre aprender que pelas estatísticas, as coisas falham por um bom tempo até começarem a funcionar e isso vale em tudo que é área da vida! A quantidade de tentativas certas favorece o resultado positivo. E tem outro detalhe relevante.

Nós vivemos em um mundo de algoritmos. 

Ainda que seu conteúdo seja EXCELENTE, um dia o algoritmo da sua rede favorita pode te ajudar, outro não. O mesmo vídeo ou story pode ter diferenças brutais de performance se publicado em dias diferentes, o que reforça a necessidade de aumentar as chances de êxito com o volume de tentativas. 

Já tive textos não planejados que passaram das 300 mil leituras e outros bem planejados que não chegaram a 1% disso, acontece.

Até aqui já vimos duas recomendações para utilizar o volume de falhas a seu favor: 

  1. Repetir o plano seguindo o método proposto e sem parar de analisar;

  2. Considerar que pode surgir um grande volume de falhas desde o princípio.

Só isso? 

Claro que não! 

Terceira recomendação: É importante não descartar seu arquivo de fracassos. Uma das coisas que mais aprendi no ciclismo foi a relevância dos dados de treinos e provas passadas. Com um ou dois anos de informações registradas nos aplicativos, hoje eu posso comparar nível de esforço, velocidade, ritmo, tempo e até condições climáticas de cada atividade. 

Tentou algo novo e não foi bem? Não descarte, nem deixe de registrar. Documente, compare.

Por falar nisso…

Publiquei o mais novo episódio do podcast Além das Boas Ideias: Pudim, Filosofia e Inovação!

Nele eu comento sobre reaproveitamento de velhas ideias, como criar coisas novas sem sofrer e o que pudim tem a ver com isso. Vai lá:

Além do Spotify, você também pode encontrá-lo no Apple Podcasts e Amazon Music!

Nos vemos na próxima semana (se eu não fracassar na frequência).